Contos

Mesmo clichê.

É clichê. Mas quem não gosta de um clichê? A vida imita o vídeo. Algumas pessoas vivem num clichê infinito. O velho texto clichê do “seu amor pode estar do seu lado”.

Ela sempre reclamava de nunca achar ninguém que combinasse plenamente com ela. Os amigos diziam que quando ela parasse de escolher tanto, a tal pessoa apareceria.

O problema é que as pessoas nunca param de procurar. Mesmo de forma inconsciente. Mas procuram mal procurado. Ou do jeito errado. Nando Reis disse bem: seu amor pode estar do seu lado. Claro que não é uma regra. Mas acontece.

O que não dá pra entender é, num mundo onde as pessoas dizem tanto que estão cheias de amor pra dar, alguns estão tão carentes desse tal do amor.

Mesa de bar, fila de supermercado, livraria… sempre procurando alguém que era sua cara. Um dia desistiu e desligou do mundo. Compenetrou-se nos livros que lia durante a viagem no metrô e parou de olhar para os lados enquanto fazia compras ou andava pelas ruas. “I’m not made for love”, dizia a música.

– Seu problema é que quando o cara é legal e tá te dando mole, você não bota fé e vira brother dele. Como vai achar alguém? – ela havia cansado de ouvir essa frase, dita por uma, duas, três… todas as amigas.

Se o cara é legal, ÓBVIO que a gente fica amiga. O problema é que quando passa da amizade, a gente deixa pra lá. Gosta do clichê, mas acha bobagem a música do Ruivão. Gosta do clichê quando a amiga conta, radiante, que conheceu um carinha no ônibus. Acha o máximo e dá risada quando a melhor amiga disse que tá namorando o pentelho que conheceu na primeira série. Gosta do clichê quando é com o outro.

As pessoas reclamam da falta de amor, dizem que tem amor pra dar, mas não sabem fazer da forma certa. Amor não é só mimimi pra cá, demonstrar ciúme doentio pra cá. Às vezes é mais simples do que se imagina. Acho que a gente não faz direito. Não sabe olhar. Vai ver o melhor amigo da amiga, que te conheceu no teu pior dia, tá dando o maior mole, e a bonita nem aí pra hora do Brasil. O cara no ônibus só se ofereceu pra segurar a bolsa porque esperou por dias, o ônibus estar lotado o suficiente só pra menina parar do lado dele e puxar papo. A menina resolveu bancar a cavalheira e segurar a porta do elevador, só porque ele tava vindo e ai finalmente poderiam trocar uma ideia.

Mas… balela! A gente anda tão ocupado em atualizar o status no Facebook, fazer check in no Foursquare, trabalhar até tarde e pular o Happy Hour, dormir no metrô, jogar qualquer coisa no PSP, fingir que não dá bola pra ninguém, preocupar-se com nós mesmos, ficar querendo de volta a menina que deu um pé na bunda, gastando a vida com relacionamentos onde o amor ficou jogado lá no meio das roupas que vão pra doação na campanha do agasalho, que esquecemos das coisas mais simples da vida.

É tipo frase de compartilhamentos infinitos nas redes sociais: Quem arranca um sorriso, pode arrancar um coração.

Eu quero ver arrancar um sorriso onde as pessoas só guardam a felicidade pra elas mesmas.

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2 thoughts on “Mesmo clichê.”

  1. Flavinha, sensacional hein! textos que só surpreendem! É fácil ficar amiga, tipo ignorar o lance, do carinha que sempre ta sendo gente boa e tal, tentando demonstrar que é real uma parada e vcs só no “para de onda!” rs

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    1. Hahahaha! Normalmente a gente (a gente=eu) acha bobagem e que seria impossível a parada ser real… E não exagera, Marcos. É só mais um texto.

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