Contos

Dizem que tudo que é proibido é mais gostoso. Pode até ser. A curto prazo. Ou em doses homeopáticas (quando o proibido acontece às vezes).

– Eu não sei o que aconteceu, mas você me cativou.
– Você mal me conhece.
– Por isso que eu disse que não sei o que aconteceu. Você me atrai de um jeito maluco. Tenho chance?
– Claro… que não. Caso você não se lembre, você carrega uma aliança na mão esquerda.

Ficar com um cara comprometido não é proibido. Mas é errado. Mas é errado? Às vezes o certo e o errado depende do julgamento de cada um. É tipo aquele ditado “quem ama o feio, bonito lhe parece”.

É fato que não podemos julgar nem ter pré-conceitos em relação à nada nem ninguém.

O que é certo pra mim, pode ser errado pra você, fulano ou beltrano. Mas por que raios o errado sempre atrai a gente? O ser humano é atraído por aquela sensação de aventura, de correr riscos e achar que nunca vai se dar mal. De fazer o errado e se achar o malandro, o espertão. Aquela atração fatal por quebrar regras. Ultrapassar os próprios limites. E vale à pena. E vale à pena?

Depende do risco. E do que se ganha com ele.

– Ele tem aqueles olhos hipnotizantes – falou pra amiga, no final do expediente.
– E é casado, como você mesma disse.
– E é casado. Deixa pra lá. Passo essa história – finalizou, subindo no ônibus.

Mentira. Fingimos que deixamos o proibido pra lá. Às vezes até deixamos, mas algo, bem lá no fundo, insiste em nos perguntar: e se tivesse quebrado a regra? Podia ter dado errado, mas não ficou na vontade.

Beijar um cara casado é errado. Pra ele, que é casado. Se a menina for solteira…

Pisar em cima das pessoas pra ser promovido na empresa não é proibido. Mas é errado. E por que tanta gente faz?

É aquela coisa da ambição. De parecer ser o melhor, o espertão. De novo a esperteza. A sensação de que nunca vai dar errado (mesmo fazendo tudo de mais errad0).

Ultrapassar o limite de velocidade é proibido. Mas é gostoso. O ponteiro tremendo no painel, o vento nos cabelos, o som alto. A sensação de liberdade. E a multa? Passa pra carteira da mãe, que não dirige há anos. É errado. Mas não é proibido.

O que é errado, pode não ser proibido. E ser proibido não quer dizer muita coisa. A gente sempre escapa. Sempre dá uma fugidinha. Sempre consegue o que quer. A vontade pode ser sem pé nem cabeça, como essa crônica. E a sensação de euforia, cedo ou tarde, ela chega.

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