Contos

Ela sabia que, por menos que quisesse, seus olhos brilhavam quando falava dele. Sabia que o coração batia acelerado quando encontrava alguém com a cara dele no metrô, mesmo sabendo que ele estava a 727km. E quando ouvia a música favorita. E quando sentia o perfume, o cheiro de praia. Os cabelos loiros, os olhos verdes. A pele bronzeada. Sabia que nunca ia encontrar alguém assim. Por mais que quisesse ou procurasse. Sabia que a voz tremia nas raras vezes que ligava pra ele, pra contar da vida, perguntar da vida, saber quando ele voltava (mesmo sabendo que a resposta seria “daqui uns meses eu estou por ai” e essa volta provavelmente seria adiada). Sabia que, de alguma forma estranha, ele gostava dela. Mas não essa coisa de namoro, de rolo, de caso. Gostava porque era uma pessoa boa.

Ela só não conseguia saber se era assim que ela gostava dele.

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