Contos

O avesso do avesso do avesso

Era assim como Sampa: o avesso do avesso. Enquanto alguns queriam a noite, ela era do dia. E quando optavam pelo dia, ela decidia pela noite. Quando era bar, ela queria cinema. Quando cinema, preferia o museu. E quando museu, ela optava por andar de caiaque.

Nunca gostou de rodeios. De flores. Ou de meias palavras. Era melhor o preto no branco. Já que não sabia ler entrelinhas, era melhor que não existissem. Aliás, quem inventou esse papo de entrelinhas? A única utilidade que já viu pra elas foi no pré, quando a professora mandou um bilhete gigante para os pais, falando que ela precisava treinar caligrafia.

O avesso do avesso. Suas amigas queriam ir pra Londres. Ela queria conhecer Bali. Enquanto a colega do trabalho que iria casar contava os dias para passar a lua de mel em Paris, ela planejava passar a sua (isso quando arrumasse um maluco) na Tailândia. Dispensava um “sex on the beach” ou uma “piña colada” por um baita copo de cerveja e uma bela porção de batata frita.

Em um ambiente preto-no-branco-e-cinza do escritório, sua mesa era a mais colorida. Com folhagens, quadros e desenhos. As pessoas olhavam torto, mas achavam engraçado. Uma peça diferente. Maluca. Fora dos padrões.

Do avesso.

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