Cinegrafia

Crossover em Pulp Fiction

Se tem uma coisa que eu gosto nessa vida é: Filmes do Quentin Tarantino. É fato que eu sou uma pessoa bem distraída, então toda vez que eu assisto aos filmes, eu acabo descobrindo algo novo.

Uma das minhas cenas favoritas nesse filme é quando Mia e Vincent estão no Jack Rabbits Slim e começa a contar sobre o piloto que fez, chamado Força da Raposa Cinco e logo depois tem a competição de twist. São sequências de cenas muito massa, com músicas melhores ainda.

E eis que surge a luz: Em sua fala, Uma Thurman lança uma BAITA referência à Kill Bill: todas as personagens da Força da Raposa Cinco têm alguma semelhança com as mulheres do filme estrelado por ela, alguns anos mais tarde.

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Não sei se alguém já tinha reparado nisso, mas meu queixo caiu quando percebi tal conexão (que não consegui descobrir se foi proposital).

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Cinegrafia

Las Chicas del Cable

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Amizade. Companheirismo. Sororidade. Independência. Feminismo. Há ainda tantas outras palavras que podem ser usadas para referenciar a temática da primeira série espanhola do Netflix.

Las Chicas del Cable conta a história de mulheres na década de 1920: suas dores, suas lutas, seus direitos (ou falta dele), suas conquistas, seus sonhos, seus sentimentos. É bom ver o quanto conseguimos: direito ao voto, divórcio, poder trabalhar mesmo estando casada. Por outro lado, é horrível ver quão pouco caminhamos: violência doméstica, machismo, assédio.

É maravilhoso assistir uma série que retrata mulheres fortes, que pensam e lutam pelo que querem. É maravilhoso ver uma série que mulheres vivem romances, mas que o enredo não se resume a isso. É lindo ver quando alguém na sua timeline do Facebook também assistiu à série, quando você achava que ninguém mais daria bola. Enfim, é maravilhoso ver histórias sobre mulheres, interpretadas e contadas por mulheres. É aquela dose de inspiração e coragem, pra seguir a luta que começou anos atrás.

A série, que foi dividida em duas partes, já tem oito episódios disponíveis no Netflix. Vale à pena. Mesmo!

Cinegrafia

T2 Trainspotting e a (louca) ideia de envelhecer

 

Já faz uma semana que assisti T2 Trainspotting e acho que ainda não superei o fim cinematográfico definitivo de Mark, Spud, Sick Boy e Begbie (ler com sotaque escocês). Com fim cinematográfico quero dizer que agora não há mais brechas para uma terceira sequência de Trainspotting. Depois de T2, o que pode acontecer com essa galera  fica por conta da nossa imaginação.

Assisti ao filme sem saber o que esperar. Muito antes de ser lançado nas salas alternativas de cinema, já havia lido várias críticas e opiniões e todas elas não muito otimistas. Felizmente, isso não minou minha vontade. Queria ver para crer se tinha valido a pena esperar esse tempo todo pra ver meus personagens mais queridos encarando a meia idade. E foi uma grata surpresa.

Não sei contar filme sem dar spoiler, então não vou falar sobre a história, mas sobre o filme de maneira geral. A trilha sonora é maravilhosa, tanto quanto é a trilha sonora de Trainspotting; Inclusive, Lust for Life também é parte da trilha sonora dessa vez e confesso que dá um acelero no coração nas vezes que ela (quase) começa a tocar em diferentes partes do filme. Este também foi dirigido por Danny Boyle então é bem parecido com o primeiro… entretanto, o que foi visto como ousadia e revolução em Trainspotting, em T2 acabou sendo algo com o que já estava acostumada, o que de forma alguma estraga o filme. Há a inclusão de elementos modernos como diálogos em pop up na telona (das mensagens dos smartphones), algo bem claro no novo discurso de “Choose life”. Além disso, há várias cenas de flashbacks e fotografias do primeiro filme, o que aumenta ainda mais a sensação de nostalgia.

E é exatamente neste ponto que T2 mexe com a gente. Na nostalgia. Na saudade. Na mágoa que temos no coração desde a juventude. Trainspotting foi lançado em 1996, mas eu só assisti lá pelos anos de 2010. Me apaixonei de cara. Achei Renton e Sick Boy os caras mais lindos do mundo. E ainda acho, mesmo nos seus 40 anos (inclusive, T2 demorou este tempo todo para ser lançado porque Ewan McGregor e Jonny Lee Miller demoraram para envelhecer muito mais do que pessoas normais). Assistir T2 nos lembra de que aquela turma louca da juventude cresce, amadurece, quebra a cara, erra, acerta, erra de novo, persiste no erro. Sofre, se alegra, se emociona. Guarda rancor. E perdoa. E ficar velho é isso. É se lembrar do que aconteceu lá atrás e ainda não conseguir perdoar. Ou conseguir, quando se der conta de que cresceu. É não conseguir se recuperar dos vícios antigos ou adquirir novos. É sentir saudade. É apaixonar-se. É querer ficar ocioso e ao mesmo tempo planejar algo grande e novo. E tudo isso numa melancolia carinhosa, que a gente só se dá conta de que esse sentimento existe quando percebe que cresceu e a vida segue, apesar de tudo.

T2 não tira o fôlego como Trainspotting tirou. Mas dá um negocinho no coração, afinal… “You’re an addict; so be addicted. Just be addicted to something else. Choose the ones you love. Choose you future. Choose life!” (Você é um viciado, então seja viciado. Só seja viciado em outra coisa. Escolha aqueles que você ama. Escolha seu futuro. Escolha a vida!).

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Cinegrafia, Cotidiano, Lugares

Ano Novo Chinês + Rio, Eu te amo (filme)

Enquanto muitos ainda estavam pulando carnaval (os blocos de carnaval desfilaram aqui em São Paulo até o final de semana do dia 13/14 de Fevereiro), meu carnaval foi no Bloco do Macaco (com todo respeito!). Digo isso porque fui à festa do Ano Novo Chinês, que aconteceu no mesmo fim de semana, no bairro da Liberdade (bairro com tradições orientais e que recebe a festa todos os anos); e a festa estava absurdamente lotada, me fazendo lembrar imediatamente do bloco de Carnaval.

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Deixando de lado a grande quantidade de pessoas, é uma festa muito interessante e super vale à pena de ver, pelo menos pra conhecer: a cultura oriental é riquíssima, cheia de simbolismos e histórias. Por lá, eu li e ouvi várias coisas (das quais não me lembro apenas alguns pontos) das quais não fazia ideia. Mais uma vez, percebi o quanto eu estava perdendo em deixar o Oriente “de lado”.

As celebrações deram início ao ano do Macaco; Isso significa que será um ano bom para começar coisas novas (negócios, por exemplo) e exercitar o lado criativo. Isso acontece porque o macaco é assim: curioso por natureza. Há diversas características pro ano (e pro signo) do macaco, mas estas foram as que mais me chamaram a atenção.

E falando em variedade, há um tempo eu ouvi falar de uma franquia de filmes chamada “Cities of Love”, criada por um francês chamado Emmanuel Benbihy. Cada filme reúne diferentes cineastas e artistas, de diferentes estilos e nacionalidades, para contar pequenas histórias, dentro de uma mesma cidade como pano de fundo.

Esta semana, eu assisti um pedaço do filme “Rio, eu te amo”. Quase todas as histórias existentes no pedaço de filme que assisti, me deixaram apaixonada: não só por se passarem no Rio, mas por serem histórias que poderiam ser vividas por qualquer brasileiro, tendo qualquer cidade como cenário. O Rio de Janeiro foi uma escolha ótima, por ser vista com aquele ar de Tom e Vinícius, mansa e com cara de que o amor existe em cada esquina, mesmo com toda a turbulência e discrepância social que existe no estado.

E foi pela simplicidade e pelo romantismo doce que a cena do garotinho esperando uma ligação de Jesus me encantou:

“Rio, eu te amo” foi lançado em 2014 e conta com os brasileiros Fernando Meirelles (Ensaio sobre a cegueira) e José Padilha (Tropa de Elite) na direção junto com vários gringos e artistas brasileiros como a querida Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Tonico Pereira, Wagner Moura (com um texto incrível, enquanto sobrevoa o Cristo Redentor), Marcelo Cerrado, etc etc etc.

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Cinegrafia, Cotidiano

O menino e o mundo

A premiação mais aguardada do cinema está logo aí. E assim como no ano passado, ouvi alguns comentários descontentes referentes aos indicados para o Oscar (além das manifestações sobre ter ou não negros sendo indicados, boicotes à cerimônia, etc). Confesso que fiquei surpresa quando vi que havia um filme brasileiro entre os possíveis indicados (e a lista oficial nem havia sido divulgada). Também pensei que, com Inside Out na lista, um filme brasileiro não teria chance alguma. Alguns dias depois, lá estava ele: O menino e o mundo.

Um filme que até então nunca tinha se ouvido falar, estava sendo mencionado em todos os jornais. E eu fui atrás. E assisti.

O menino e o mundo é um filme que retrata a triste realidade com uma doçura sem tamanho. De forma singela e leve, com um traço simples, mistura de texturas e linguagens, mostra as aventuras de um menino que vai atrás do seu pai, que mudou-se para a cidade grande, em busca de uma vida melhor. Aventuras vividas por muitos brasileirinhos e brasileirinhas, crescidos ou não.

A trilha sonora dá a cadência que me fez viajar junto com o menino. É genuinamente brasileiro. Traz cenas vividas por muitos de nós, que às vezes esquecemos (ou preferimos esquecer). É a realidade vista aos olhos de uma criança.

Inside Out também é ótimo. É divertido. Engraçado. Colorido. 3d. Cheio de coisas. Este prêmio já é da Disney. Mas sem nacionalismo, só a opinião sincera, de um coração emocionado: minha torcida é para O Menino e o Mundo.