Cinegrafia

Las Chicas del Cable

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Amizade. Companheirismo. Sororidade. Independência. Feminismo. Há ainda tantas outras palavras que podem ser usadas para referenciar a temática da primeira série espanhola do Netflix.

Las Chicas del Cable conta a história de mulheres na década de 1920: suas dores, suas lutas, seus direitos (ou falta dele), suas conquistas, seus sonhos, seus sentimentos. É bom ver o quanto conseguimos: direito ao voto, divórcio, poder trabalhar mesmo estando casada. Por outro lado, é horrível ver quão pouco caminhamos: violência doméstica, machismo, assédio.

É maravilhoso assistir uma série que retrata mulheres fortes, que pensam e lutam pelo que querem. É maravilhoso ver uma série que mulheres vivem romances, mas que o enredo não se resume a isso. É lindo ver quando alguém na sua timeline do Facebook também assistiu à série, quando você achava que ninguém mais daria bola. Enfim, é maravilhoso ver histórias sobre mulheres, interpretadas e contadas por mulheres. É aquela dose de inspiração e coragem, pra seguir a luta que começou anos atrás.

A série, que foi dividida em duas partes, já tem oito episódios disponíveis no Netflix. Vale à pena. Mesmo!

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Cotidiano

Eu não preciso do 08 de março

For the English version, click here.

Não. Não preciso de feminismo. Não preciso saber que existe “coisa de menina” e “coisa de menino”. Não preciso reclamar que mulheres ganham menos que homem. Muito menos saber que tem gente que ainda se surpreende quando vê uma mulher dirigindo um ônibus ou um caminhão. Não preciso do patriarcado. Não preciso ser lembrada que mulheres eram proibidas de ir à escola, estudar matemática, envolver-se com ciências exatas. Não preciso retrucar, sem titubear, quando ouço que lugar de mulher é na cozinha, no tanque, cuidando de filho e varrendo a casa.

Não preciso que me informem de pesquisas que dizem que:
13,5 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de violência.
11 estupros por hora.
1 espancamento a cada 24 segundos.
Apenas 35% das violações notificadas.
1 milhão de abortos clandestinos por ano.
Só 10% de mulheres no Congresso.
Mulheres recebem apenas 2/3 dos salários recebidos por homens.
Quase 60% das mulheres vivenciando assédios no ambiente laboral.

Nem que me lembrem da maternidade compulsória, violência obstétrica, objetificação do corpo, silenciamento e invisibildade de denúncias, repressão e julgamento moral e sexual, rituais perversos de feminilidade e transtornos alimentares, baixa auto-estima, ansiedade e insegurança.

Devo ignorar a preocupação de pais, mães, amigos e familiares de mulheres que saem sozinhas à noite, que pegam ônibus e táxi sem companhia; mulheres que viajam sozinha ou fazem qualquer outra coisa, quando bem quer e entendem. Também devo ignorar quando as manas sofrem repressão por manifestar sua opinião. A sororidade é desnecessária. Devo usar roupas comportadas, esquecer o batom vermelho, afinal, assim é que uma mulher direita se veste. Não preciso combater os padrões de beleza criados pela indústria (da mídia. Da moda. Da sociedade). Não preciso me preocupar com estupro ou assalto, só porque nasci mulher. Não preciso ter controle sobre o meu próprio corpo ou fazer minhas próprias escolhas.Não quero que me lembrem toda hora que mulher é só quem tem vagina e nasceu branca, na classe média. As outras são só… ah, o que são.

Vítimas de machismo não existe. Nunca existiram. Não preciso de independência financeira. É uma chatice essa repetição sobre conquistas das mulheres. Não é nada demais. É absolutamente normal levar um tiro na cabeça quando se luta por educação. É normal ser taxada de louca quando se denuncia o assédio. É normal trabalhar fora, cuidar de filhos e da casa e ouvir que não faz nada. É normal sofrer violência por ser mulher. É normal não precisar lutar. É normal ser educada assim: “Se comporte. Feche as pernas. Use saia. Use salto. Use batom. Tenha namorado. Tenha marido. Tenha filhos. Arrume o cabelo. Seja dona de casa. Não ande soznha. Aprenda a cozinhar.”

Não preciso da luta diária pra derrubar barreiras. Nem das tantas outras coisas que acontecem todos os dias e que são muitas para enumerar.

Não preciso disso. Não preciso dar seguimento à luta que começou num dia como hoje, 08 de março. É tudo história. Contos que nos contam. Mentira. Exagero. Conversa. Balela.

 

Cotidiano

Feminismos + Caminhada + Beatles

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Sim. Feminismo. De acordo com o dicionário, “Movimento iniciado na Europa com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos políticos e sociais de ambos os sexos“. Não. Feminismo não é menosprezar o homem. Não é querer ser homem. Não é o oposto de machismo. Já faz um tempo que tenho lido sobre isso. Assistido documentários. Filmes. Entrevistas. Protestos. Etc. E, infelizmente, apesar da luta ser antiga, o cenário não muda. Mulher não pode. Mulher não deve. Não é coisa de menina. O não sempre vem antes de qualquer coisa, quando comparamos coisas que homens e mulheres fazem.

Não sou militante, manifestante. Não vou pra rua. Não queimo sutiã. Não faço topless. Mas isso não faz de mim menos defensora do feminismo. Quebrar tabus. Usar a roupa que eu bem entender. Brincar de carrinho, fazer pipa (sim, já cheguei a ouvir que mulher não sabe fazer pipa). Trabalhar na área que eu quiser. Beijar quem quiser. Sair de casa sem sentir medo. Fazer a caminhada matinal sem ouvir um assovio ou um comentário grosseiro (cantadas agressivas pode ser consideradas assédio). Igualdade entre os sexos não é pedir demais. Ou é?

Ainda ontem li um texto absurdo, sobre analisar uma mulher em dez passos, ou seja, o que uma mulher não (vejam aqui, o NÃO de novo) pode ser, ter ou fazer. Queria que tivesse sido uma piada de mau gosto. Não era. Pior ainda é saber que tem gente que concorda. Bota fé. Exalta o autor.

Por outro lado, felizmente, tem gente na luta. Interessadx em mudança. O documentário O papel que me cabe conta histórias anônimas, de mulheres que sofreram preconceito por ser mulher. Depois de ver esse documentário, cheguei mais uma vez à mesma conclusão: A culpa NÃO é nossa. Usar roupa curta, não justifica. Querer sair com quem quiser, não justifica. Ter o cabelo ou o corpo fora do “padrão” definido pela sociedade, não justifica. Ser mulher não justifica. Nada justifica o machismo, comentários, ataques diretos e indiretos. Preconceito velado. NADA justifica.

1. Tênis + corda. 2. Roupa fresca pros dias impossíveis de verão. 3. Vai ter cropped sim! E se reclamar, vai ter dois!. 4. Calça + iPod + porta dolar (pra carregar dinheiro, chave, iPod quando a calça não tem bolso).

 

Enfim. Depois do desabafo (hahaha!), finalmente decidi (tentar) estabelecer uma rotina de exercícios, criar resistência e preparar pro projeto Inverno 2015 (Sim. Inverno. Mais detalhes futuramente). Mentira. Nunca consegui estabelecer rotina pra nada. Mas estou tentando me exercitar seriamente dessa vez: caminhada intercalada com pequenos períodos de corrida (de levs!), pular corda e outros exercícios propostos pelo “7 Minutes work out” (não é publipost!). Baixei esse app e achei o máximo. Ele conta. Apita. Fala. Só não manda tomar água. Fácil de usar e configurar, telas amigáveis, uma belezinha. E o tempo passa tão rapidinho que nem parece que foram apenas sete minutos.

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Ainda não sei dizer o resultado nessa iniciativa de ano novo, mas eu já percebi que estou menos mal humorada (não que eu fosse SUPER mal humorada), menos brava e cabeça mais arejada. Além disso, estou tentando seriamente cortar (ainda mais) os junk foods (recusei Ruffles e McDonalds essa semana. YES!), voltando a beber água. Etc etc etc. Além disso, estou mais de bem com roupas de calor (shorts, cropped, regata,  legging pra correr…. porque ninguém merece passar um dia de 32° usando camisa de manga e calça comprida).

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E pra acompanhar essa minha rotina, a trilha sonora foi dos meus lindos de Liverpool ❤ (lista abaixo e disponível no Grooveshark)

1. Ob-La-Di, Ob-La-Da
2. Drive My Car
3. A Hard Day’s Night
4. All You Need Is Love
5. Baby You’re A Rich Man
6. Love Me Do
7. Penny Lane
8. Help!
9. Hold Me Tight
10. She Loves You
11. All My Loving

 

Até a próxima!

Flavia

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Contos

Pela igualdade no direito da pegação

O cara era bonito. E bacana. Inteligente. Papo bom. Divertido, tinha carro, bom gosto musical, frequentava lugares diferentes. Papo vai, papo vem, rolou um beijo. E a mão aqui. E a mão ali. E ponto. E num outro dia, uma mão aqui, outra ali, outra aqui de novo. E ponto. E depois, pela menina supostamente não fazer parte do mesmo universo desregrado dele, fim.

“Ah, porque você é pra namorar e eu não quero nada sério”.

Certo. Por que todo homem acha que a mulher não pode simplesmente ficar por ficar? Até cheguei a fazer uma pesquisa se os homens acham absurdo o fato da mulher querer sair pra curtir, pra pegação e bla bla bla (mentira, perguntei pra um cara só). A resposta que eu tive foi que o cara sempre sai de casa já na segunda intenção. E pra mulher, a segunda intenção é consequência, que primeiro rola um sentimento.

Certo. O fato da mulher ser emotiva não a impede de querer sair na noite pra beijar várias bocas ou dormir com o bonitinho que ela achou na balada indie da Augusta.

Ser de família, ter religião, honrar com compromissos, respeitar os pais, ajudar as pessoas, estudar, ficar em casa num sábado à noite, ir à missa no domingo de manhã, dormir cedo, acordar cedo, fazer supermercado, cuidar de criança, ir ao shopping, não a faz santa. E muito menos tira o direito dela querer as coisas no parágrafo supracitado.

“Em momento algum eu falei de namoro” – ela disse.

“Mas você é muito bacana e eu não quero te chatear” – respondeu.

Okay. Azar o dele. Perdeu uma peguete bacana e uma transa casual. Afinal, para os homens, a mulher não tem tanto direito de sair pra pegação. Não como eles.