Cotidiano, Para ler

O que eu ando lendo – Três dicas de leitura

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Há pouco tempo eu acabei resgatando meu hábito de ler livros. Também é fato que este hábito vai embora com facilidade… mas, entre tantas idas e vindas, alguns livros sempre permanecem de fácil acesso, para que eu volte a lê-los, sejam livros impressos ou em PDF. Eu tenho certa dificuldade em seguir a ordem de um livro, sempre acabo folheando os capítulos seguintes antes de terminar o capítulo que estou lendo no momento. Os três livros que vou sugerir aqui neste post não são livros de histórias ou contos, então não é necessário “seguir uma ordem”, por isso me agradam.

leia_isto_se_quer_tirar_fotos_incriveis_de_genteNome: Leia isto se quer tirar fotos incríveis de gente.
Autor: Henry Carroll
Sobre: O livro tem obras de vários fotógrafos como Henri Cartier-Bresson, Helen Levitt, Sebastião Salgado, entre outros. Através destas fotos, são dadas dicas de como fotografar pessoas, iluminação, ambiente, composição fotográfica, fotografia preto e branco e colorida etc. A linguagem é bem simples, sem complicações do mundo fotográfico, poucos “termos técnicos”, mas com instruções básicas sobre tipos de câmeras e algumas configurações que podem ser utilizadas.
Eu sempre dou uma folheada antes de sair de casa ou levo comigo, para buscar inspiração ou algo assim.

 

 

the_beatles_london_a_guideNome: The Beatles’ London: A Guide to 467 Beatles Sites in and Around London
Autor: Piet Schreuders, Mark Lewisohn, Adam Smith
Sobre: Ganhei este livro ano passad de presente de aniversário, enquanto estava morando em Londres. Eu, que nunca soube ler mapas, aprendi com ele. O livro é um guia de lugares por onde os Beatles passaram em Londres e em outros lugares ao redor da cidade. Nos mapas e nas descrições têm o nome das estações mais próximas e o que aconteceu no lugar mencionado como o hotel e que os Beatles se hospedaram, apartamento que moraram, teatros, bares e como estes lugares estão hoje. Além de ser um guia sobre Beatles, é um guia sobre Londres. Mesmo que eu não esteja mais morando lá, continuo gostando do livro da mesma forma, já que treino minha leitura em inglês.

 

 

clandestino_in_search_of_manu_chaoNome: Clandestino – in search of Manu Chao
Autor: Peter Culshaw
Sobre: Este livro não é uma biografia do Manu Chao, é um livro sobre o Manu Chao. Ganhei do meu tio no começo deste ano e achei sensacional. O autor do livro é um jornalista que acompanha o Manu e conta suas impressões sobre ele, descreve as conversas que eles têm e as opiniões daqueles que cercam Manu ou dos lugares que ele frequenta ou frequentou. O autor também conta as histórias contadas pelo cantor, sobre como seus pais e avós viveram, de onde eram, toda a cena vivida pelo Clandestino. Através destas informações, é possível compreender porque Manu é como é e de onde vem toda a inspiração e a razão de suas composições.

 

Por ora, é o que tenho. São livros bons, de leitura leve e os que são em inglês, de fácil compreensão. Não são histórias, portanto posso falar destes livros tranquilamente, sem estragar o final, como sempre faço, por isso os escolhi. Quando eu aprender a contar sobre livros e filmes, sem estragar o final, escrevo aqui sobre eles.

Salvar

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Fotografia

Mulheres da fotografia – I

Uma vez eu li uma entrevista de uma curadora do MoMA (Museum of Modern Art), Sarah Meister, onde ela dizia que não há outra arte capaz contar sua própria história exclusivamente pelo trabalho de artistas mulheres. Você não precisa de homens para compor um viés histórico da fotografia. Não há outra arte capaz contar sua própria história exclusivamente pelo trabalho de artistas mulheres. Só a fotografia. (A entrevista completa está aqui).

Dito isso, separei algumas fotógrafas e suas obras, que muito provavelmente passarão a ser um guia, um norte, uma nota, uma referência, para minha curiosidade infinita sobre fotografia.

Shirley Baker

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Conheci o trabalho da Shirley Baker este ano, enquanto eu estava em Londres. Rolou uma exposição do trabalho dela na Photographers Gallery, em uma das travessas da Oxford Street. A galeria é maravilhosa, mas posso falar dela depois.

O que me chamou a atenção nas fotos da Shirley foram as crianças: muitas delas retratam crianças, brincando soltas na rua. E estes são dois pontos que me interessam grandemente: as crianças e a fotografia de rua.

Shirley era britânica e veio a falecer ano passado. De acordo com o Daily Mail, ela foi a única fotógrafa mulher a retratar a vida, a fotografia de rua britânica entre 1960s e 1980 e suas fotos retrataram o momento de uma mudança social.

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Mary Ellen Mark

Conheci o trabalho da Mary Ellen procurando informações sobre um documentário chamado Everybody Street, um documentário que fala sobre a fotografia e fotógrafos de rua de Nova Iorque e faleceu este ano, em maio.

Mark era conhecida por estabelecer uma certa afinidade com as pessoas a serem fotografadas (barreira que eu tento quebrar todos os dias), portanto, uma fotógrafa humanista. De acordo com Melissa Harris para a TIME “Ela quria trabalhar – ela amava ser fotógrafa. Ela era grande com as pessoas – trabalhando tão intuitivamente – e ela era capaz de obter esta essência das pessoas que ela estava fotografando, de contar suas histórias. Importava para ela representá-los fielmente e verdadeiramente e não somente num sentido visual de documentário, mas distinguindo cada indivíduo sobre quem ele ou ela era no mundo real. Seu trabalho era humano, todo coração”. 

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Cotidiano

Fotografia + rua + pessoas

Seis meses depois, estou de volta. Passei uma temporada em Londres e agora é hora de retomar a vida.

Muitas coisas aconteceram: boas, ruins, engraçadas, idiotas. Coisas inspiradoras e outras nem tanto assim. Foi difícil ir e encarar o quase desconhecido. Tão difícil quanto ir e deixar família e amigos (apesar de ter família lá também), foi voltar e deixar família e amigos. Aos poucos eu vou registrando os acontecimentos, de forma retroativa… mas prefiro assim. Desta forma, sempre irei relembrar as coisas bacanas que aconteceram.

De tudo que aconteceu, uma das melhoras coisas foi que eu comecei a me identificar, desta vez de verdade, com a fotografia. E com a fotografia de rua. Aos detalhes que passam despercebido. Ou então, aos detalhes que todos prestam atenção, mas que eu queria tentar ver algo novo no mesmo cenário rotineiro. Ainda não atingi este objetivo por completo, mas eu estou em contínuo processo de melhora.

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Ainda durante esta temporada na terra da rainha, conheci pessoas maravilhosas, que compartilham desta paixão. Pessoas que se encontram para simplesmente passar o dia conversando e tirando fotos; pessoas que tentam compartilhar sua visão de mundo através de suas lentes. Soa meio poético mas é a mais pura verdade.

E foram através destes encontros que eu me dei conta de que gosto de histórias, sejam elas verdadeiras ou falsas. Tristes ou contentes. Histórias de uma vida toda ou histórias que aconteceram cinco minutos atrás. Ou história nenhuma, somente o sentimento que uma cena transmite. Como diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras. Pode ser verdade, entretanto, conectar-se com o que está sendo fotografado faz uma grande diferença. E a busca por esta conexão é meu próximo passo.

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A rua não se cala um minuto. As pessoas não se calam. O mundo não pára pra gente descer. E nós não paramos para ver o mundo. Às vezes queremos voltar o relógio. Fazer um segundo durar horas. Semanas durarem meses. E ao mesmo tempo, queremos que uma semana dure um dia. Essa complexidade é muito louca e faz com que nós mesmos comecemos a nos sentir perdidos, sem saber direito o que queremos.

No fim das contas, o melhor a ser feito é aproveitar o segundo. O dia. O mês. Ter um plano B ajuda. Pensar no próximo passo economiza dor de cabeça. Lembrar do que aconteceu dá uma saudade danada. Cada momento tem seu sentimento. Não levanto a bandeira do “faça agora porque pode não ter uma segunda chance”. Levanto a bandeira do “faça o que te faz sentir bem”.