Contos

Pela igualdade no direito da pegação

O cara era bonito. E bacana. Inteligente. Papo bom. Divertido, tinha carro, bom gosto musical, frequentava lugares diferentes. Papo vai, papo vem, rolou um beijo. E a mão aqui. E a mão ali. E ponto. E num outro dia, uma mão aqui, outra ali, outra aqui de novo. E ponto. E depois, pela menina supostamente não fazer parte do mesmo universo desregrado dele, fim.

“Ah, porque você é pra namorar e eu não quero nada sério”.

Certo. Por que todo homem acha que a mulher não pode simplesmente ficar por ficar? Até cheguei a fazer uma pesquisa se os homens acham absurdo o fato da mulher querer sair pra curtir, pra pegação e bla bla bla (mentira, perguntei pra um cara só). A resposta que eu tive foi que o cara sempre sai de casa já na segunda intenção. E pra mulher, a segunda intenção é consequência, que primeiro rola um sentimento.

Certo. O fato da mulher ser emotiva não a impede de querer sair na noite pra beijar várias bocas ou dormir com o bonitinho que ela achou na balada indie da Augusta.

Ser de família, ter religião, honrar com compromissos, respeitar os pais, ajudar as pessoas, estudar, ficar em casa num sábado à noite, ir à missa no domingo de manhã, dormir cedo, acordar cedo, fazer supermercado, cuidar de criança, ir ao shopping, não a faz santa. E muito menos tira o direito dela querer as coisas no parágrafo supracitado.

“Em momento algum eu falei de namoro” – ela disse.

“Mas você é muito bacana e eu não quero te chatear” – respondeu.

Okay. Azar o dele. Perdeu uma peguete bacana e uma transa casual. Afinal, para os homens, a mulher não tem tanto direito de sair pra pegação. Não como eles.

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