Cinegrafia

T2 Trainspotting e a (louca) ideia de envelhecer

 

Já faz uma semana que assisti T2 Trainspotting e acho que ainda não superei o fim cinematográfico definitivo de Mark, Spud, Sick Boy e Begbie (ler com sotaque escocês). Com fim cinematográfico quero dizer que agora não há mais brechas para uma terceira sequência de Trainspotting. Depois de T2, o que pode acontecer com essa galera  fica por conta da nossa imaginação.

Assisti ao filme sem saber o que esperar. Muito antes de ser lançado nas salas alternativas de cinema, já havia lido várias críticas e opiniões e todas elas não muito otimistas. Felizmente, isso não minou minha vontade. Queria ver para crer se tinha valido a pena esperar esse tempo todo pra ver meus personagens mais queridos encarando a meia idade. E foi uma grata surpresa.

Não sei contar filme sem dar spoiler, então não vou falar sobre a história, mas sobre o filme de maneira geral. A trilha sonora é maravilhosa, tanto quanto é a trilha sonora de Trainspotting; Inclusive, Lust for Life também é parte da trilha sonora dessa vez e confesso que dá um acelero no coração nas vezes que ela (quase) começa a tocar em diferentes partes do filme. Este também foi dirigido por Danny Boyle então é bem parecido com o primeiro… entretanto, o que foi visto como ousadia e revolução em Trainspotting, em T2 acabou sendo algo com o que já estava acostumada, o que de forma alguma estraga o filme. Há a inclusão de elementos modernos como diálogos em pop up na telona (das mensagens dos smartphones), algo bem claro no novo discurso de “Choose life”. Além disso, há várias cenas de flashbacks e fotografias do primeiro filme, o que aumenta ainda mais a sensação de nostalgia.

E é exatamente neste ponto que T2 mexe com a gente. Na nostalgia. Na saudade. Na mágoa que temos no coração desde a juventude. Trainspotting foi lançado em 1996, mas eu só assisti lá pelos anos de 2010. Me apaixonei de cara. Achei Renton e Sick Boy os caras mais lindos do mundo. E ainda acho, mesmo nos seus 40 anos (inclusive, T2 demorou este tempo todo para ser lançado porque Ewan McGregor e Jonny Lee Miller demoraram para envelhecer muito mais do que pessoas normais). Assistir T2 nos lembra de que aquela turma louca da juventude cresce, amadurece, quebra a cara, erra, acerta, erra de novo, persiste no erro. Sofre, se alegra, se emociona. Guarda rancor. E perdoa. E ficar velho é isso. É se lembrar do que aconteceu lá atrás e ainda não conseguir perdoar. Ou conseguir, quando se der conta de que cresceu. É não conseguir se recuperar dos vícios antigos ou adquirir novos. É sentir saudade. É apaixonar-se. É querer ficar ocioso e ao mesmo tempo planejar algo grande e novo. E tudo isso numa melancolia carinhosa, que a gente só se dá conta de que esse sentimento existe quando percebe que cresceu e a vida segue, apesar de tudo.

T2 não tira o fôlego como Trainspotting tirou. Mas dá um negocinho no coração, afinal… “You’re an addict; so be addicted. Just be addicted to something else. Choose the ones you love. Choose you future. Choose life!” (Você é um viciado, então seja viciado. Só seja viciado em outra coisa. Escolha aqueles que você ama. Escolha seu futuro. Escolha a vida!).

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